quinta-feira, 29/10/2026

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Indústria da moda caminha para a substituição de modelos por imagens geradas por inteligência artificial em dois anos.

A ascensão da inteligência artificial (IA) no setor da moda está transformando não apenas a forma como as marcas se comunicam com seus consumidores, mas também ameaça a própria essência da profissão de modelo.…

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A ascensão da inteligência artificial (IA) no setor da moda está transformando não apenas a forma como as marcas se comunicam com seus consumidores, mas também ameaça a própria essência da profissão de modelo. As novas tecnologias possibilitam que empresas criem imagens realistas de roupas e acessórios sem a necessidade de sessões fotográficas tradicionais, resultando em uma redução de custos que pode ultrapassar 90% em comparação ao uso de modelos humanos.

No entanto, essa inovação levanta questões éticas e legais significativas. Atualmente, não há uma regulamentação clara sobre a propriedade de réplicas digitais de indivíduos, o que coloca em risco os direitos dos modelos. Em entrevistas com diretores de agências e análise de contratos confidenciais de marcas renomadas como Diesel, Calvin Klein e L’Oréal, a Reuters revelou cláusulas que permitem às empresas modificar a aparência de modelos, trocar rostos e até criar cópias digitais sem compensação financeira adicional.

Adot Gak, um modelo com experiência em campanhas de grandes marcas, expressou preocupação com o futuro da profissão. Segundo ele, a tendência crescente de substituição de modelos por versões geradas por IA pode reduzir drasticamente as oportunidades de trabalho nos próximos anos. “Se não nos manifestarmos sobre isso, em dois anos toda a indústria será apenas robôs”, alertou.

Enquanto algumas marcas de moda rápida, como a espanhola Mango, adotam modelos digitais de maneira agressiva, casas de luxo, como a Moncler e a Gucci, ainda avançam com cautela, testando campanhas que utilizam essa tecnologia. Apesar do potencial de economia e eficiência, a falta de regulamentação adequada deixa muitos modelos vulneráveis à exploração. A Lei dos Trabalhadores da Moda do estado de Nova York é uma das poucas iniciativas que buscam proteger os direitos dos profissionais, exigindo consentimento explícito para o uso de imagens digitais.

Além disso, a realidade é que muitos modelos podem, involuntariamente, estar contribuindo para a criação de seus substitutos digitais. Contratos analisados indicam que suas imagens podem ser utilizadas para treinar sistemas de IA sem compensação. Esse cenário gera um dilema ético, onde o próprio trabalho dos modelos pode estar ajudando a construir uma ferramenta que ameaça sua própria profissão.

O impacto da inteligência artificial nas agências de modelos e estúdios fotográficos é evidente, com um número crescente de empresas fechando suas portas. A Zalando, por exemplo, eliminou estúdios fotográficos e mais de 340 empregos ao integrar modelos gerados por IA em sua estratégia de marketing. “Estamos economizando muito dinheiro”, afirmou um porta-voz da empresa, refletindo uma tendência que pode se espalhar ainda mais no setor.

Com a tecnologia avançando rapidamente, a falta de regulamentação robusta levanta preocupações sobre o futuro da indústria da moda. Sem diretrizes claras, os modelos correm o risco de serem explorados de maneiras que poderiam ter repercussões duradouras em suas carreiras. O tempo dirá se o setor conseguirá encontrar um equilíbrio entre a inovação tecnológica e a proteção dos direitos dos profissionais que o sustentam.