Com as eleições de meio de mandato se aproximando nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a presença da inteligência artificial na propaganda eleitoral se torna um tema cada vez mais alarmante. O uso dessa tecnologia, muitas vezes associada à disseminação de informações enganosas, levantou preocupações sobre a integridade do processo eleitoral.
O termo “slopaganda”, que une os conceitos de propaganda política e conteúdos de baixa qualidade gerados por IA, vem sendo amplamente discutido entre pesquisadores. Embora tanto republicanos quanto democratas estejam utilizando essa abordagem, é notável que a maior parte dos investimentos neste tipo de propaganda esteja nas mãos de candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano, especialmente em um ano eleitoral tão crucial.
Um exemplo alarmante dessa prática é um anúncio do democrata Abdul El-Sayed, que concorre ao Senado no Michigan. No vídeo, ele é retratado de forma a evocar um discurso de ódio, segurando cartas que fazem alusão a eventos trágicos como os ataques de 11 de setembro. O material, produzido por uma organização vinculada ao senador republicano Ted Cruz, destaca a falta de transparência que permeia a maioria dos anúncios, já que apenas uma fração deles comunica claramente o uso de inteligência artificial.
Dados do Wesleyan Media Project revelam que, até o momento, 220 anúncios políticos foram identificados como utilizando IA, com 81% do financiamento proveniente do Partido Republicano. Em contraste, os democratas responderam por apenas 12%. Além disso, o investimento em anúncios com IA já ultrapassa US$ 137 milhões, um aumento significativo em relação ao ano anterior, quando os gastos mal chegaram a US$ 50 mil.
A ausência de regulamentação federal que exija a divulgação do uso de IA em campanhas eleitorais tem gerado um clima de incerteza. Alguns estados, no entanto, estão começando a estabelecer diretrizes para conter essa prática. O senador democrata Jon Ossoff expressou sua preocupação sobre o impacto da IA na política, descrevendo o crescimento do uso dessa tecnologia como “profundamente preocupante”. A reação popular também aponta para uma rejeição significativa, com 73% dos entrevistados em uma pesquisa considerando inaceitável o uso de IA na propaganda eleitoral.
Embora a quantidade de anúncios gerados por IA tenha aumentado, especialistas alertam que isso não garante um impacto direto nos resultados eleitorais. Um relatório do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York sugere que a “slopaganda” pode ser mais efetiva na mobilização de eleitores e na arrecadação de fundos do que na real influência sobre as escolhas eleitorais. À medida que a saturação de conteúdos gerados por IA cresce, os desafios para capturar a atenção dos eleitores se tornam mais evidentes, criando um cenário onde a verdade e a clareza na comunicação política são cada vez mais ameaçadas.



