terça-feira, 27/10/2026

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Meta considera nova versão de óculos sem câmera para revitalizar o produto

A Meta, gigante da tecnologia, causou alvoroço ao lançar seus óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban em 2023. O entusiasmo inicial pelo produto foi rapidamente ofuscado por denúncias de assédio e invasão de…

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A Meta, gigante da tecnologia, causou alvoroço ao lançar seus óculos inteligentes em parceria com a Ray-Ban em 2023. O entusiasmo inicial pelo produto foi rapidamente ofuscado por denúncias de assédio e invasão de privacidade, com relatos de mulheres e meninas sendo filmadas sem consentimento. Com a imagem da marca em xeque, a recente contratação da influenciadora Kylie Jenner como embaixadora não parece ter sido suficiente para acalmar as críticas, levando muitos a apelidarem os dispositivos de “óculos pervertidos”.

No Reino Unido, a crescente preocupação com a privacidade resultou em proibições em diversos locais, incluindo pubs, teatros e até mesmo a base da Marinha britânica. Em resposta a esse clamor, a Meta anunciou uma nova versão dos óculos: os Ray-Ban Meta Audio, que agora não possuem câmera. Embora mantenham funcionalidades de áudio, como chamadas e reprodução de música, a intenção é minimizar as implicações para a privacidade dos usuários.

A decisão de lançar um modelo sem câmera pode ser vista como uma tentativa de a Meta se readequar a um mercado em transformação, onde a privacidade é uma demanda crescente. Ankit Brahmbhatt, chefe de produtos da Meta Glasses, parece cauteloso ao falar sobre as expectativas de vendas, destacando que a empresa busca atender a diferentes perfis de consumidores.

Enquanto alguns profissionais do setor veem a inovação como uma resposta positiva às críticas, outros questionam se essa mudança realmente sinaliza um novo caminho para os óculos inteligentes. As versões anteriores, que incluem câmeras, ainda estão disponíveis, e o futuro da tecnologia parece permanecer atrelado à coleta de dados, o que gera um dilema ético contínuo.

Em uma experiência pessoal, quem testou os óculos com câmera notou uma aparente indiferença do público durante o uso em ambientes urbanos. Contudo, a sensação de insegurança persiste, com relatos de usuários que sofreram agressões por conta dos dispositivos. Apesar disso, as funcionalidades de áudio dos novos modelos têm sido elogiadas por sua praticidade, mesmo que isso venha à custa de um maior compartilhamento de informações pessoais.

O debate sobre o uso de óculos inteligentes não se restringe apenas à privacidade. Usuários com deficiência visual, por exemplo, consideram os dispositivos como ferramentas revolucionárias, o que levanta questões sobre a inclusividade da tecnologia em meio a controvérsias. Enquanto isso, a pressão por regulamentações aumenta, com ativistas clamando por uma revisão urgente das leis que cercam esse tipo de tecnologia.

Além disso, a indústria não parece disposta a recuar. Outras empresas, como Samsung e Google, também estão explorando o mercado de óculos inteligentes, enquanto a Snap lançou um modelo que promete integrar funcionalidades inovadoras. A busca por uma “norma social” em relação ao uso de dispositivos com câmeras se intensifica, com especialistas alertando que o futuro da tecnologia deve equilibrar a inovação e a privacidade de forma mais eficaz.

Assim, enquanto a Meta tenta navegar por um mar de controvérsias e reinventar sua oferta, fica a pergunta: será que a sociedade está pronta para aceitar esses dispositivos, ou a luta pela privacidade apenas começou?

Crédito da imagem: Óculos inteligentes da Meta