terça-feira, 27/10/2026

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A origem do termo ‘inteligência artificial’ e a proposta de Trump para sua alteração

A denominação “inteligência artificial” (IA) tem raízes que remontam a 1955, quando um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos buscava desenvolver máquinas que pudessem simular o raciocínio humano. Esta terminologia, criada por nomes como…

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A denominação “inteligência artificial” (IA) tem raízes que remontam a 1955, quando um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos buscava desenvolver máquinas que pudessem simular o raciocínio humano. Esta terminologia, criada por nomes como John McCarthy e Marvin Minsky, surgiu de um desejo de explorar um campo que misturava matemática, engenharia e estatística, conforme explica Cleber Zanchettin, professor da Universidade Federal de Pernambuco.

Os estudos sobre máquinas pensantes, no entanto, não começaram ali. Alan Turing, um dos pioneiros da computação, já se questionava na década de 40 se seria possível programar máquinas para responder perguntas de maneira tão convincente que a distinção entre homem e máquina se tornasse quase impossível. Essa curiosidade intelectual acabou culminando na criação da cibernética, um campo que Norbert Wiener definiu para investigar sistemas que poderiam aprender com suas próprias ações.

O cenário atual, porém, traz um novo protagonista: o ex-presidente Donald Trump, que propõe uma mudança no vocabulário ao sugerir que “inteligência artificial” seja substituída por “superinteligência”. Trump argumenta que o termo atual implica uma sensação de falsidade e que a nova nomenclatura seria mais adequada. Em seus discursos, ele não hesita em afirmar que essa mudança deve ser universal, abrangendo documentos oficiais dos Estados Unidos e, idealmente, do mundo todo.

Os especialistas, no entanto, mostram-se céticos em relação a essa proposta. Anderson Soares, um dos influentes brasileiros em IA, aponta que a ideia de inteligência, em si, é ainda nebulosa e complexa, tanto nas ciências quanto na tecnologia. Para ele, essa tentativa de rebranding parece mais uma manobra política do que um avanço significativo na compreensão tecnológica.

Cleber Zanchettin também critica a proposta de Trump, sugerindo que a mudança de nomenclatura pode ser mais uma estratégia de marketing do que uma tentativa genuína de avanço. Já o especialista Allan Pscheidt vê a iniciativa como um reflexo do desejo de afirmar a soberania tecnológica dos Estados Unidos, comparando a atual corrida pela “inteligência artificial geral” à antiga corrida espacial.

Além disso, a introdução de um termo tão carregado como “superinteligência” pode gerar receios. Zanchettin alerta que muitos ainda não compreendem a IA básica, e uma nova nomenclatura pode exacerbar a resistência da população a essa tecnologia. Pesquisas indicam que mais da metade dos brasileiros e uma proporção significativa da população americana expressam preocupações em relação aos avanços da IA, temendo uma superação da inteligência humana.

Em suma, enquanto as discussões sobre a nomenclatura da inteligência artificial se intensificam, a comunidade científica e a sociedade civil se deparam com uma necessidade urgente de esclarecer e educar sobre o que, de fato, a tecnologia representa e qual o seu impacto no futuro.

Crédito da imagem: Por que Trump quer mudar o nome da IA?